Fim da jornada 6x1: sindicato prevê custo de R$ 416,7 mi para varejo de Campinas; economistas contestam

  • 20/04/2026
(Foto: Reprodução)
Governo envia ao Congresso PL para fim da escala 6x1 Um estudo do Sindicato do Comércio Varejista de Campinas (SindiVarejista) aponta que o fim da jornada de 44 horas semanais pode gerar um custo extra de até R$ 416,7 milhões por ano para o setor na cidade. No entanto, economistas ouvidos pelo g1 contestam a metodologia e preveem um impacto menor, além de alertarem para outros riscos, como o aumento da informalidade. LEIA TAMBÉM: Fim da jornada 6x1: os argumentos de quem é contra e quem é a favor 6x1, 5x2, 4x3 e 12x36: como funcionam as principais escalas de trabalho no Brasil Estudo da Fiep aponta queda do PIB e risco de desemprego com fim da escala 6x1 A pesquisa, baseada na Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) de 2024, foi apresentada pelo economista do sindicato, Jaime Vasconcellos. Veja os principais pontos: 💸 Custo anual: o valor extra para manter o padrão de atendimento seria de R$ 416,7 milhões 👥 Novas contratações: seria preciso contratar 10,7 mil novos trabalhadores 🏪 Impacto nos pequenos negócios: a alta de custos afetaria mais os pequenos negócios, que representam 80% do setor ⚠️ Possíveis consequências: o aumento de despesas poderia levar à redução de horários, demissões ou repasse de custos ao consumidor Os economistas Elaine Rosandiski, professora da PUC-Campinas, e José Ruas, presidente do Instituto de Pesquisa e Estudos Econômicos e Sociais (IPEES), contestam os dados. Veja os contrapontos: 📊 Metodologia: para eles, o estudo usa um salário médio (R$ 3.114) inflado, pois inclui gerentes, enquanto o custo de reposição de um vendedor seria menor (entre R$ 1.800 e R$ 2.000) 💰 Custo real: o impacto real nos custos do comércio deve ficar entre 1,5% e 2%, um valor que consideram absorvível pelo setor 🛍️ 'Efeito multiplicador': com mais tempo livre, os trabalhadores tendem a consumir mais, o que pode aquecer a economia local, um fator não considerado no estudo do sindicato 🏷️ Repasse de preços: pequenos varejistas têm dificuldade em repassar custos aos preços, pois não têm poder de mercado para isso Riscos para o trabalhador Apesar de contestarem os números, os economistas alertam para outros riscos que a medida pode trazer aos trabalhadores. Informalidade: Elaine Rosandiski aponta a possibilidade de crescimento do trabalho sem registro. "Muitas pessoas aceitam porque não têm outra alternativa. Ou eu ganho R$ 1,5 mil ou eu ganho mais aceitando trabalhar sem carteira e numa posição muito mais fragilizada", comenta. 'Pejotização': José Ruas prevê um avanço na contratação de pessoas jurídicas (PJ) no médio prazo para reduzir encargos. "Vão acabar contratando informalmente, como PJ, ou para bicos nos horários de pico", afirma. O caminho da negociação O SindiVarejista defende que a transição seja feita por meio de negociação coletiva, para respeitar as particularidades de cada setor. Já a economista Elaine Rosandiski argumenta que regras legais são necessárias para proteger o trabalhador. "Quando você não tem poder de barganha, a negociação fica muito mais difícil. Muitos trabalham com a ideia de que é melhor pingar do que faltar. Então, as pessoas vão aceitar trabalhar por um valor mais baixo", explica. Ambos os lados, no entanto, concordam sobre a necessidade de um debate aprofundado para avaliar os efeitos da medida. "Acho que tem que ter calma nessa hora, para que a gente não absorva a ideia de que empresas vão fechar ou trabalhar em horários menores. É uma questão de adaptação a essa jornada. Acho que esse ajuste é algo que cada comércio, cada prestador de serviço vai encontrar, conforme a sua melhor possibilidade de adaptação", finaliza Rosandiski. Fim da jornada 6x1: sindicato prevê custo de R$ 416,7 mi para varejo de Campinas; economistas contestam Celso Tavares/g1 Projeto de lei O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) encaminhou ao Congresso Nacional na terça-feira (14) um projeto de lei que acaba com a chamada escala 6x1. Ou seja, o modelo de seis dias de trabalho para um de descanso. O texto prevê a redução do limite de jornada de trabalho semanal de 44 para 40 horas e reduz a escala de 6 para 5 dias de trabalho, com dois dias de descanso remunerado. Na prática, isso leva à adoção do modelo chamado de "5x2". Segundo o governo, os dias de repouso poderão ser definidos em negociação coletiva, "respeitando as peculiaridades de cada atividade". A proposta foi encaminhada com urgência constitucional. O texto da proposta já está disponível no sistema da Câmara dos Deputados e aguarda despacho do presidente da Casa para começar a tramitar. Proposta do governo A proposta encaminhada nesta terça mantém escala 12hx36 em casos de acordo coletivo, desde que seja respeitada a média de 40 horas semanais. 🔎 A escala 12x36 é um regime de trabalho onde o funcionário trabalha por 12 horas seguidas e descansa nas 36 horas subsequentes, garantindo um dia de folga para cada dia de trabalho. Além disso, proíbe que o salário do trabalhador seja reduzido com as mudanças. Segundo o governo, o texto possui abrangência ampla e alcança domésticos, comerciário, atletas, aeronautas, radialistas e outras categorias abrangidas pela CLT e leis especiais. *Estagiárias sob supervisão de Gabriella Ramos. VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias da região no g1 Campinas

FONTE: https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/concursos-e-emprego/noticia/2026/04/20/fim-da-jornada-6x1-sindicato-preve-custo-de-r-4167-mi-para-varejo-de-campinas-economistas-contestam.ghtml


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