Após quase 2 séculos, ave emblemática volta a nascer livre na Mata Atlântica

  • 02/05/2026
(Foto: Reprodução)
Ave emblemática volta a nascer na Mata Atântica Cetas Porto Seguro/Ibama Em um marco histórico para a conservação ambiental, a arara-vermelha-grande (Ara chloropterus) voltou a nascer livre na Mata Atlântica. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) registrou, em abril de 2026, o nascimento dos primeiros filhotes na natureza quase 200 anos após a extinção da espécie neste bioma. Um resgate histórico Historicamente, a arara-vermelha-grande possuía uma ampla distribuição geográfica e habitava quase todo o território nacional. A imponência e a beleza dessas aves encantaram os primeiros europeus que chegaram ao Brasil, sendo descritas na Carta de Pero Vaz de Caminha, em 1500, como "papagaios vermelhos, muito grandes e formosos". Registro mostra casal defendendo ninho contra aproximação de estranhos Cetas Porto Seguro/Ibama Viajantes do passado, como o príncipe Maximiliano de Wied-Neuwied, também documentaram a ocorrência da espécie entre Salvador e o Rio Mucuri. No entanto, a captura ilegal e o desmatamento desenfreado varreram a arara-vermelha-grande de todo o litoral brasileiro. Até este projeto, as populações selvagens resistiam apenas no interior do país, concentradas principalmente nas regiões Norte e Centro-Oeste. O que é novidade no g1? Veja: Vídeos em alta no g1 De volta à natureza Para reverter esse cenário trágico e promover o retorno da espécie ao litoral, o Projeto de Reintrodução da Arara-vermelha-grande na Mata Atlântica foi iniciado em 2022. Conduzido pelo Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) do Ibama em Porto Seguro, no sul da Bahia, o programa utiliza apenas aves oriundas de cativeiro — resgatadas do tráfico de animais silvestres ou doadas por particulares — já que não havia mais exemplares selvagens na região. VIU ISSO? Terceiro maior felino do Brasil surge no quintal de uma casa no interior de SP Cientistas apontam limite crítico para salvar preguiça ameaçada no Brasil Maior águia das Américas é flagrada devorando presa em registro inédito na Bahia A jornada de volta à liberdade exige um processo rigoroso de reabilitação:As aves passam por identificação com anilhas metálicas e microchips. O protocolo inicial exige quarentena, testes sanitários e avaliações comportamentais e clínicas. Os animais são inseridos em viveiros de voo para realizar treinamento focado em socialização e condicionamento físico. A adaptação ao ambiente natural é estimulada com a oferta de frutos nativos e a instalação de caixas-ninho artificiais. A área escolhida para a soltura abrange cerca de 7 mil hectares de floresta em estágio avançado de regeneração. O território engloba a Estação Veracel, localizada em Porto Seguro, que é a maior Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) de Mata Atlântica no Nordeste. Após quase 2 séculos, ave emblemática volta a nascer livre na Mata Atlântica Cetas Porto Seguro/Ibama Sucesso na reprodução O primeiro grupo de araras ganhou os céus da região em 2024. Embora os estudos apontassem que o período para a primeira reprodução pudesse demorar até cinco anos, algumas caixas-ninho artificiais já começaram a ser ocupadas no primeiro ano. Em 2026, a formação de casais defendendo ativamente essas estruturas indicou o tão aguardado comportamento reprodutivo. Para garantir a tranquilidade dos animais e não interferir no processo, a equipe optou pelo acompanhamento à distância. A estratégia foi um sucesso e resultou na confirmação do nascimento de dois filhotes. As jovens aves já foram observadas voando, recebendo alimento dos pais e iniciando a exploração da floresta de forma independente. 📱 Receba conteúdos do Terra da Gente também no WhatsApp O feito quebra um antigo estigma na biologia da conservação e comprova que aves mantidas em cativeiro conseguem, sim, retornar à natureza. Com treinamento e convivência com outros indivíduos, o comportamento natural da espécie pode ser totalmente recuperado. Engenheiras do ecossistema O retorno da arara-vermelha-grande representa um ganho inestimável para a dinâmica ambiental. Por conta do seu grande porte, a espécie é capaz de transportar sementes por longas distâncias. Ao se alimentar de frutos e espalhar essas sementes, a ave atua como uma "engenheira de ecossistemas", favorecendo diretamente a regeneração florestal e a biodiversidade. A iniciativa é um esforço conjunto que envolve o Ibama e diversos parceiros estratégicos: a Polícia Militar da Bahia atua na proteção da área ; a Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC) orienta o treinamento das aves ; a Conservix é responsável pela criação dos ninhos ; a RPPN Estação Veracel foca na educação ambiental ; e a World Parrot Trust viabilizou os viveiros de voo. Zoológicos, centros de reabilitação, entidades de proteção ambiental e proprietários de aves adquiridas de forma legal podem apoiar o projeto disponibilizando araras dessa espécie para integrarem as novas turmas de soltura. O contato com a coordenação do Ibama deve ser feito através do e-mail ligia.ilg@ibama.gov.br. VÍDEOS: Destaques Terra da Gente Veja mais conteúdos sobre a natureza no Terra da Gente

FONTE: https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/terra-da-gente/noticia/2026/05/02/apos-quase-2-seculos-ave-emblematica-volta-a-nascer-livre-na-mata-atlantica.ghtml


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