Amputações por diabetes crescem 32,8% na região de Campinas e atingem maior patamar em cinco anos

  • 27/07/2026
(Foto: Reprodução)
Amputações por causa de diabetes sobem 32,8% na região de Campinas As amputações decorrentes do diabetes mellitus tiveram alta de 32,8% na região de Campinas (SP) em 2025 e atingiram o maior patamar dos últimos cinco anos, segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo obtidos pelo g1. Foram 591 procedimentos no ano passado, contra 445 em 2024 – índice que supera os registros dos últimos cinco anos (veja o gráfico abaixo). O número inclui todos os municípios que fazem parte do Departamento Regional de Saúde (DRS) VII 📲 Participe do canal do g1 Campinas no WhatsApp Enquanto as amputações provocadas pelo diabetes avançaram de forma significativa, as relacionadas a outras doenças, neoplasias e malformações tiveram crescimento mais discreto, passando de 1.048 para 1.087 casos (3,7%). Já os procedimentos decorrentes de causas acidentais caíram de 163 para 146, redução de 10,4%. Com isso, os dados indicam que o aumento observado em 2025 foi impulsionado principalmente pelas complicações do diabetes. Nesta reportagem você vai ver: Quais membros são mais amputados Quais as faixas etárias mais afetadas O número de amputações em geral Por que o diabetes pode levar à amputação O que pode explicar o aumento Como prevenir a amputação por diabetes Pés e dedos concentram quatro em cada cinco amputações Considerando todas as causas de amputações, não apenas diabetes, o levantamento mostra que os procedimentos atingem principalmente os membros inferiores. Entre 2020 e 2025, foram registrados: 3.819 amputações de pé e tarso (conjunto de ossos entre o tornozelo e o mediopé); 3.508 amputações de dedos; 1.202 desarticulações de dedos; 111 desarticulações de outros membros inferiores; 59 desarticulações de outros membros superiores. As amputações de pés, tornozelos e dedos representam cerca de 80% dos 9.148 procedimentos contabilizados no período (considerando membros superiores e outras partes do corpo). Em 2025, as amputações de pé e tarso chegaram a 724 casos, acima dos 611 registrados em 2024. As amputações de dedos também cresceram, passando de 194 para 209. 🦶 Entenda: amputação é a retirada cirúrgica de parte de um membro cortando o osso. É o termo mais conhecido e engloba a maioria dos procedimentos. Desarticulação é um tipo específico de amputação em que o membro é retirado pela articulação, sem serrar o osso. Idosos são maioria entre os pacientes O perfil etário mostra que os idosos concentram a maior parte das amputações, independentemente da causa que levou ao procedimento. Pessoas com 60 anos ou mais responderam por 5.532 do total registrado entre 2020 e 2025, o equivalente a cerca de seis em cada dez casos. A faixa com maior número foi a de 75 anos ou mais, com 1.711 cirurgias, seguida pelos grupos de 65 a 69 anos (1.441) e de 60 a 64 anos (1.269). Os números mostram ainda que a incidência cresce progressivamente com o avanço da idade. Enquanto a faixa de 20 a 24 anos registrou 115 amputações no período analisado, entre pessoas com 75 anos ou mais esse total foi quase 15 vezes maior. Total de procedimentos também aumenta Considerando diabetes, outras doenças, causas acidentais e não acidentais, incluindo cirurgias eletivas preventivas, o número de amputações, em geral, cresceu em 2025. Foram registrados 1.824 procedimentos, frente a 1.656 em 2024. O volume é o maior da série iniciada em 2020. Na comparação com o primeiro ano do levantamento, quando foram contabilizadas 1.238 amputações, o crescimento chega a cerca de 47,3%. Por que o diabetes pode levar à amputação? Segundo a endocrinologista Maria Beatriz Dias, do Vera Cruz Hospital, a amputação não é uma consequência inevitável do diabetes, nem mesmo nos casos de doença mal controlada. Ela explica, porém, que o procedimento costuma ser o desfecho de uma sequência de complicações. "O paciente com diabetes descontrolado tem uma perda da sensibilidade no local. Então, ele não percebe que tem uma ferida no pé, por exemplo", afirma. Segundo a médica, o diabetes pode causar lesões nos nervos (neuropatia) e na circulação, principalmente nos pés. Com isso, pequenos machucados passam despercebidos e acabam evoluindo para infecções graves. "Como a pessoa não sente, ela se machuca e não percebe. Como é um local com má circulação, quando vai perceber a lesão normalmente é por um odor muito forte, e já está uma infecção enorme", detalha a profissional. Ela destaca ainda que os pés concentram a maior parte das amputações porque, além de sofrerem com a circulação comprometida, muitas pessoas deixam de examiná-los no dia a dia. Situação que pode acometer, principalmente, idosos e obesos. O que pode explicar o aumento das amputações? Imagem de arquivo: paciente faz teste de glicemia para diabetes Adobestock Para Maria Beatriz, o crescimento dos casos é resultado de um conjunto de fatores, e não apenas da falta de cuidado dos pacientes. Entre eles, estão: envelhecimento da população: as complicações do diabetes levam muitos anos para aparecer; mais pessoas vivendo por mais tempo com diabetes: isso aumenta o tempo de exposição à doença e às complicações; diagnóstico tardio: alguns pacientes descobrem que têm diabetes apenas quando já apresentam complicações graves; controle inadequado da glicemia: como o diabetes costuma ser silencioso, muitos pacientes não conseguem manter a doença controlada; falta de exame regular dos pés: segundo a médica, o acompanhamento deve incluir a avaliação dos pés em todas as consultas; dificuldade de acesso a especialistas e demora para procurar atendimento: já que a perda de sensibilidade faz com que muitos machucados passem despercebidos. "O diabetes é uma doença que não causa problemas a curto prazo. Essas lesões na circulação e nos nervos acontecem em 10, 20, 30 anos", explica. Como prevenir? A principal forma de prevenção, de acordo com a endocrinologista, é controlar adequadamente o diabetes e adotar cuidados diários com os pés, especialmente entre idosos e pessoas que já apresentam neuropatia. "Se você não é diabético, ou não sabe, precisa investigar se é. Se você é diabético, tem que controlar muito bem a glicemia e examinar os pés diariamente." Entre as orientações destacadas pela especialista estão: não andar descalço; usar calçados confortáveis, evitando sapatos que apertem os pés; verificar o interior do sapato antes de calçá-lo; examinar os pés todos os dias; não tentar tratar feridas em casa; manter acompanhamento médico regular, com avaliação dos pés nas consultas; parar de fumar, já que o cigarro agrava as complicações do diabetes. "Tem paciente que tem uma neuropatia tão grave que calça um sapato e, às vezes, tem uma pedrinha dentro e não percebe", exemplifica. Ela ressalta ainda que a participação da família é importante, principalmente no cuidado com idosos que têm dificuldade para examinar os próprios pés ou realizar os cuidados diários. Região de Campinas tem aumento no número de atendimentos de pessoas com diabetes VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e Região Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Campinas.

FONTE: https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2026/07/27/amputacoes-por-diabetes-crescem-328percent-na-regiao-de-campinas-e-atingem-maior-patamar-em-cinco-anos.ghtml


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